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As iniquidades da Pandemia COVID19 – para além das iniquidades em saúde, as iniquidades econômicas se somam no contexto brasileiro

Posted on April 2, 2020
Sao Paulo streets

By: Letícia de Oliveira Cardoso
Co-Investigator
SALURBAL Project 

O primeiro caso de COVID19 foi anunciado no Brasil, no dia 4 de março. Desde então, o Ministério da Saúde vem anunciando medidas que ficaram mais restritivas após a situação de transmissão comunitária. Espelhando-se em realidades internacionais, as principais recomendações para a população para diminuição do contágio e para evitar a ampliação exponencial do número de casos, foram a adoção de medidas de higiene das mãos e o isolamento social. Para garantir essas medidas, os Estados com mais casos no país, Rio de Janeiro e São Paulo, restringiram a circulação de pessoas em transportes públicas, impediram o funcionamento de escolas, universidades, repartições públicas, academias de ginásticas, shoppings centers e o comércio em geral

Pesquisadores e autoridades sanitárias aprovam essas medidas (que são corretas), mas sabemos que elas trazem um complicador adicional especialmente para aqueles indivíduos que dependem da economia informal. O Brasil, desde 2015, vem enfrentando uma grave crise econômica, com um crescimento de cerca de 40% no número de desempregados, sendo que esta situação já atingia a 23% das famílias brasileiras em 2019. A economia informal se tornou uma alternativa para várias dessas famílias, em especial a comercialização de alimentos e refeições nos mais diferentes espaços das cidades. Um estudo conduzido pela aluna de mestrado da Escola Nacional em Saúde Pública, Ana Carolina Castro, e supervisionado por mim, analisou a venda de alimentos em todas as estações de ônibus na região metropolitana do Rio de Janeiro, e identificou que do total dos pontos de venda existentes (n=256), cerca de 50% deles eram pontos de venda informal, que vendiam em sua maioria, bebidas (como água, bebidas açucaradas e cerveja) e biscoitos. Isto é, alimentos baratos e prontos para o consumo. Essa população, que depende dessa venda informal estará em maior risco econômico e social, comparados aos funcionários formais, que são minimamente amparados pelas leis e direitos trabalhistas.

É importante chamar atenção que esses comerciantes informais fazem parte dos grupos sociais mais vulneráveis e portanto acumulam todas as desvantagens também na pandemia do COVID19. Moram em regiões mais pobres, muitos deles nas favelas, como é caso do Rio de Janeiro, com maior aglomeração e ausência de serviços em quantidade e complexidade necessárias, sem água potável e esgotamento sanitário para higienizar de maneira adequada mãos e todo o resto, apresentam mais frequentemente as co-morbidades como obesidade e doenças como hipertensão, diabetes que aumentam o risco dos casos graves, e somado a todos os riscos para a saúde, ficarão mais vulneráveis pois não terão seu rendimento diário. 

O Estado e toda a sociedade não podem deixar de priorizar a atenção aos mais vulneráveis, que certamente, serão os mais prejudicados. 

O Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte fale sobre como se proteger do vírus da perspectiva da nutrição. Este documento explica a importância de comer bem, saber como lavar seus produtos e suas mãos e guardar sua comida durante os tempos do #COVID19Brasil. Faça o download do PDF aqui.

Posted in Urban Health, Social Environment, localnews, Health Promotion, Governance, Public Policies